Nublagem Calmaria


Tudo parece mais sereno num dia frio.
A gentil calmaria que preenche as esferas... E com calma, prossigo a patamares cada vez mais calmos... O quão distante (ou próximo) eu posso chegar?
Não dá pra ver o sol, mas a contagem das horas é crescente. O dia permanece, em sua branquidão macia de algodão. O céu da manhã que é o mesmo da noite que se foi, apenas tem acrescentado em sua magnitude, o brilho e a claridade, e o canto bonito da passarada nos ninhos, nos muros, nos fios de eletricidade, nos ramos de folhas das árvores frutíferas, então, esses passarinhos ficam brincando por aí, trocando de lugares, voando, pousando.
Comparo o canto dos passarinhos com as gotículas, os ciscos úmidos de agüinhas que brotam do ar, nos lençóis de ar e suas ondas ventanosas. Não dá pra ver as ondas de ar, e não dá pra ver os ciscos de água, mas eu sinto vários deles vindo de contato para minha pele, e tem muito ar em volta de mim e ares que respiro e compartilho, e a partir desse ar compartilhado, posso sentir as gotículas que o ar carrega goticulando por toda parte! É uma sensação calma e deliciosa.
Então entro em sintonia com os passarinhos e seus pios contentes, e com a ventania calma e suas gotinhas contentes... Dá uma vontade de ficar rindo calmamente...
Parece que tudo está sendo observado, e que tudo está observando também!

Outro detalhe do céu nublado com as belezas aqui embaixo, é que notei a seu modo, a ampliação de alguns sentimentos com as plantas. Uma arvorezinha em contraste com o céu que se resume numa única nuvem branca que engoliu tudo para si. Enfim, essa arvorezinha, com seus galhozinhos que cresceram e foram se ramificando e ramificando lá pra cima e deles várias folhinhas que surgiram e foram crescendo aos pouquinhos, e são verdinhas, e ficam balançando muito calminhas e silenciosas, na onda que a brisa brinca. As folhinhas parecem querer alcançar o céu, mas está satisfeita, claro, e fica a contemplar por toda a vida... E lá com a arvorezinha deve ter um vasto universo, em sua estrutura, e os insetos que passeiam por ela, pelos seus caminhos, e o ar nublado também, lá e em toda parte. E o ar que penetra no vasto universo que é um inseto que caminha pelo universo dos gravetos no ar.
De acordo com meus sentidos, observo o tal contraste... Uma percepção própria. Há o contraste da árvore, em seus próprios contrastes pessoais (arvorais?) com o contraste de um dia de céu azul com as nuvens que intercalam e transformam suas cores e formas, e os raios de luz, e os ares, e os sons, essas percepções básicas...

Cada realidade própria, várias formas de frequências que se inter-relacionam e vão atraindo novas ondas receptoras, e moldando sintonias, sintonias, sintonias...
Uma calma sintonia.
"Sintonias", plural de sintonia, com outros plurais de sintonia.
Sintoniassintoniassintoniassinto... Elas se juntam, porque criou sintonia... É um plural, ou conjunto dos mesmos plurais, que virou um singular! Sempre foi único e singular na verdade, mas, são as fragmentações do mundo mesmo que nossa mente fragmenta.

A calmaria nos adentra ao equilíbrio profundo da sintonia do universo.
Sintonia do universo está em detalhes sutis próximos a cada UM.
Na harmonia de cada UM.
Na paz de cada UM.
Na Unidade de cada UM.
No UM.

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